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10.06.2019

Vitimização policial, uma realidade que precisa ser discutida

Nos últimos dias 13, 14 e 15 de maio, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro promoveu o I Simpósio Nacional sobre Vitimização Policial. Cada Estado da federação enviou representantes para o simpósio, em grande parte os Comandantes-Gerais e Chefes de Estado Maior das PMs. O Estado do Paraná optou por enviar como representantes três Militares Estaduais que já foram vitimados por disparos de arma de fogo.

 

Um deles, também representando a Associação dos Oficiais do Estado do Paraná (ASSOFEPAR), o Capitão Marco Vinicius de Moraes Sarmento, enalteceu a importância da realização de um evento sobre o tema e de representar o Estado. “Oportunidade excelente para estabelecer contato com todas as instituições policiais militares do Brasil e entender um pouco mais sobre a vitimização policial nos Estados”, disse o Capitão Sarmento.

 

O Oficial foi vitimado por um disparo durante uma instrução de tiro. Ele era responsável por uma instrução de emboscada e contra emboscada de viaturas, na fase de criação das equipes ROTAM do 17° BPM. “O Policial que trabalhava como motorista da minha viatura, acabou, por uma falha, mantendo a arma em condições de emprego durante a atividade, ocorrendo então o disparo acidental que me vitimou. Permaneci por cerca de 2 meses internado, com um diagnóstico de que nunca mais voltaria a andar, teria dificuldade na movimentação dos braços, e sempre dependeria de alguém para as atividades rotineiras. Mesmo com esse prognóstico médico, optei por não desistir e lutar, afinal de contas, ingressei na Corporação para combater a violência e o mal que assola a sociedade, e não iria desistir tão fácil, pois sabia que não era o que Deus e meu subconsciente guardavam para mim”, relatou o Capitão Sarmento.

 

O Militar Estadual também detalha a importância da colaboração dos companheiros de farda na recuperação. “Com a ajuda dos companheiros do meu pelotão ROTAM, guerreiros que não desistiram também ao ver minha força de vontade, iniciei atividades  de fisioterapia, hidroterapia, passando por hospital de referência em atendimento de lesão medular em Brasília, sempre acompanhado também de meus familiares, que nos momentos de tristeza e cansaço, me motivavam e me encorajavam a não desistir. Com muito esforço retornei para a atividade na Corporação, demonstrando que poderia sim desempenhar meu serviço com qualidade. Atuei no serviço de inteligência, trabalhando operacionalmente no atendimento de emergência, e também nos setores de planejamento da Corporação, onde me encontro hoje trabalhando”, disse.

 

LUTAS E OBSTÁCULOS

 

O Capitão Sarmento ainda explica que, além das próprias barreiras, foi uma luta para que seu potencial fosse reconhecido. “Confesso que foi uma batalha intensa para retornar ao serviço, pois muitos não conseguiam enxergar potencial em meu retorno. Mas, aos poucos, demonstrei pelas atitudes, apreensões realizadas, confiabilidade nas operações, demonstração de empatia com cada profissional que atuava ao meu lado, que não somente era um bom profissional, como podia operar em minha profissão com qualidade e presteza muitas vezes melhor dos que se encontravam em condições ‘normais’ de saúde”, finalizou o Oficial.

 

A experiência do Capitão Sarmento foi enaltecida pelos militares e participantes do simpósio. Todos ficaram apreensivos e com brilho nos olhos, aqueles que convivem com a batalha rotineira de uma sociedade em guerra e que, de certa forma, tiveram inspiração e motivação para saberem que são representados, mesmo que em outro Estado.

 

DOCUMENTÁRIO

 

Durante o simpódio foi lançado o documentário “Heróis do Rio de Janeiro”. Produzido para alertar a sociedade sobre a dura realidade enfrentada por policiais militares, filme expõe a discussão publicamente. Segundo a PMERJ, estudos mostram que, apenas no Rio de Janeiro, mais de 20 mil policiais militares morreram por causas não naturais, ficaram feridos ou foram afastados por problemas psiquiátricos e psicológicos.

 

“O documentário revela histórias reais dos policiais militares do Rio vitimados em ação, histórias desconhecidas da população. São homens e mulheres que trabalham num ambiente de guerra urbana, sofrem letalidades absurdas, com sequelas físicas e psíquicas gravíssimas”, afirmou o Coronel Cajueiro, Presidente da Comissão de Análise da Vitimização e Superintendente de Comunicações Críticas da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

 

Além de emocionantes e comoventes depoimentos de policiais militares de diferentes patentes e de familiares enlutados, participam do documentário o Procurador de Justiça Marcelo Rocha Monteiro e o professor Ricardo Moderno da UERJ (in memorian).

 

Assista abaixo o documentário, ou, se preferir, acesse: Heróis do Rio de Janeiro

 

 

 

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