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24.02.2026

Operação Verão: quando e por que começou?

Texto baseado na coletânea “Polícia Militar do Paraná: Origem e Evolução - Volume I (1854-1917) e Volume II (1917-1988)”.

 

Por Ten.-Cel. Valter Ribeiro da Silva1

 

 

No momento em que a Polícia Militar encerra mais uma Operação Verão, surgem as seguintes indagações: quando e por que tal atividade começou a ser desenvolvida no litoral do Paraná?

 

Não é de hoje que a PMPR se dedica à segurança do litoral paranaense, tendo em vista a sua importância econômica e turística. Basta ver que o primeiro destacamento policial da Corporação foi instalado em Paranaguá em abril de 1855, o qual atendia também as vilas de Guaraqueçaba e Guaratuba. No entanto, por muito tempo o interesse estava voltado mais para o porto de Paranaguá.

 

É a partir da década de 1950 que iniciam alguns investimentos importantes na região litorânea, o que contribui para o aumento de veranistas, a exemplo da inauguração da estátua do Cristo Redentor2 em Guaratuba, no ano de 1953, assim como a implantação do ferry-boat3, em 1960, facilitando o acesso e a movimentação de turistas entre Guaratuba e o balneário de Caiobá. No mesmo período tem início a construção do trecho Curitiba-Paranaguá da rodovia BR-277, que é inaugurado em abril de 1968.

 

Em razão dessas e outras melhorias, o litoral paranaense vivenciou um êxtase imobiliário e um crescimento do turismo. Assim, no ano de 1962 teve início as ações de reforço na segurança do litoral do Estado no período do verão – o que mais tarde passou a ser conhecido como “Operação Praias”, e mais recentemente como “Operação Verão”.

 

O jornal Diário da Tarde, de 10 de janeiro de 1962, publicou a seguinte nota:

SEGURANÇA NAS PRAIAS DO LITORAL. Com o objetivo de proporcionar maior tranquilidade aos que procuram as praias, diversas providências foram postas em prática pela Chefatura de Polícia [Secretaria de Segurança] e pelo Departamento de Trânsito. Para Matinhos, Caiobá e Guaratuba foram enviados Guardas-Vidas e Inspetores de Trânsito, bem como instaladas placas de sinalização e um serviço de rádio pela Polícia Militar do Estado.

 

Nos anos seguintes a estrutura da PMPR direcionada ao litoral foi sendo gradativamente aumentada. Em 1º de janeiro de 1971, por exemplo, com a manchete “Não abuse, 300 homens zelam por você no litoral”, o jornal Diário do Paraná informou a população sobre o início da Operação Praias naquela temporada. Segundo consta, o efetivo da PM na operação era composto por 90 homens do Corpo de Operações Especiais, 35 do Batalhão de Controle de Tráfego (BCT), 90 do Corpo de Bombeiros, 30 do Corpo de Policiamento Portuário e 30 da Polícia Rodoviária, além dos membros do Corpo de Polícia Florestal (CPF), do Serviço de Relações Públicas, de Manutenção e Saúde.

 

O efetivo, comandado pelo Major Hélio Gomes Meirelles, estava dividido em dois “postos de comando”, sendo um em Matinhos e outro em Guaratuba. De acordo com o Major Meirelles, havia duplas de Cosme e Damião e “Soldados do trânsito” de Pontal do Sul a Guaratuba, realizando o policiamento “essencialmente preventivo”. Mas a grande novidade naquele ano foi o “novo tipo de uniforme usado” pelos policiais: a “pesada farda” foi substituída por “calça e camisa de mangas curtas, sem gravatas” e com “bonés leves”.

 

Na edição de 30 de dezembro de 1972, o Diário da Tarde informou que em 2 de janeiro iniciaria oficialmente a “Operação Praias 73” da Polícia Militar do Paraná. O Corpo de Bombeiros iria alocar guarda-vidas de Pontal do Sul até Guaratuba. Em toda a faixa litorânea, policiais do BCT iriam orientar e coibir os possíveis abusos no trânsito. E, nessa operação, a novidade foi o uso de “sandálias, bermudas e jaquetas de mangas curtas” pelos policiais militares.

 

Onze dias após o início da Operação Praias, o Diário da Tarde de 13 de janeiro de 1973 destacou: a “situação do litoral paranaense tem se mantido em calma, o que demonstra ter a missão preventiva da Polícia Militar [...] – policiamento ostensivo, rodoviário, de trânsito e guarda-vidas – atingido um alto nível de trabalho”. De acordo com o jornal, a PMPR estava agindo para “orientar o público e dar-lhe segurança efetiva que merece”. E concluiu dizendo: “Quando a prevenção atinge altos resultados, baixa é a ocorrência de fatos policiais repressivos como prisões, detenções, multas, etc.”

 

Guarda-vidas em serviço no litoral do Paraná. Imagem extraída do Diário da Tarde de 28 de dezembro de 1972.

 

O Diário da Tarde de 15 de dezembro de 1973 anunciou que a Operação Praias havia começado, ressaltando que as “próprias municipalidades [prefeitos], com jurisdição sobre vasta área do litoral Atlântico no Paraná, já se manifestaram favoravelmente à implantação desse esquema, que vai conferir um clima de maior segurança, de mais respeito e acatamento aos desgastados preceitos acauteladores”.

 

O Diário destacou, ainda, que foi para eliminar a “imagem negativa do nosso litoral” que a Polícia Militar, depois de “demorados estudos e pesquisas, instituiu a Operação Praias”, que não era um “prolongamento do serviço que já vinha prestando, mas uma coisa nova, estruturada em bases mais sólidas e mais reais”. A operação estava baseada em três metas fundamentais: “tráfego, saúde/saneamento e segurança pessoal e patrimonial.”

   

À esquerda, policiais militares posicionados em frente ao Pelotão de Guaratuba; à direita, uma dupla de motociclistas em patrulhamento pela orla na década de 1970. Imagens extraídas da Revista Mundo Policial (1977).

 

A “Operação Praias 1976” contou com uma inovação, já que, além do tradicional emprego suplementar da Polícia Militar, agora teria a participação da Polícia Civil e do Detran, todos atuando de forma integrada. Outra inovação foi o emprego de bicicletas no policiamento ostensivo – onde isso fosse viável –, o que, além de maior interação com os veranistas, acarretaria economia de combustível.

 

Em 1977, a Operação Praias contou com 400 policiais militares empregados nas mais diversas missões, para atender tanto a população fixa como a flutuante. Além do policiamento ostensivo, eram oferecidos os serviços de intérpretes, postos de informações, achados e perdidos, primeiros socorros e outros.

Sede do Pelotão da Polícia Militar em Guaratuba na década de 1980.

Acervo do 9.º Batalhão de Polícia Militar

 

Sob a designação de “Operação Verão 80”, e não mais “Operação Praias”, a notícia do Diário do Paraná de 27 de dezembro de 1979 informava que para aquela temporada não haveria o deslocamento de grandes efetivos de Curitiba para o litoral, ficando a operação sob a responsabilidade do 9º BPM, sediado em Paranaguá. No entanto, haveria suplementação de viaturas e outros equipamentos, além do envio de contingentes do Corpo de Bombeiros e do Batalhão de Trânsito para reforçar o policiamento no litoral. Naquele ano, semelhante ao que ocorre atualmente, o litoral foi dividido em três subáreas, sendo a primeira sediada em Praia de Leste; a segunda, em Matinhos (que serviria de QG da operação); e a terceira, em Guaratuba.

 

Dessa forma, acompanhando a evolução e o desenvolvimento do litoral paranaense, a cada ano a Corporação foi se reinventando e implementando novas modalidades de policiamento, buscando sempre garantir a segurança dos turistas durante a temporada de verão.

 

Essa e outras histórias e informações sobre a Polícia Militar do Paraná, você encontra na coletânea “Polícia Militar do Paraná: Origem e Evolução - Volume I (1854-1917) e Volume II (1917-1988)”, disponível na Associação dos Oficiais (Assofepar) e na Associação da Vila Militar (AVM).

 

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1 Oficial da Polícia Militar do Paraná, bacharel em Direito e co-autor da coletânea “Polícia Militar do Paraná: Origem e Evolução - Volume I (1854-1917) e Volume II (1917-1988)”. Contato: valtersilva75@gmail.com

2 Disponível em: https://guaratuba.portaldacidade.com/noticias/cidade/um-pouco-sobre-o-morro-do-cristo-maior-ponto-turistico-de-guaratuba-4536. Acesso em: 22 fev. 2026.

3 Disponível em: https://www.der.pr.gov.br/Pagina/Historico-do-Ferry-Boat. Acesso em: 22 fev. 2026.

 

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Referências

 

SILVA, Valter Ribeiro; CONDE, Daniel Gonçalves. Polícia Militar do Paraná: Origem e Evolução – 1854-1917 – Volume I (2023) e 1917-1988 – Volume II (2024). 1ª ed. – Curitiba, PR: Edição do autor.

 

 

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